Processo de desertificação atinge 62 municípios e 5 novas áreas no RN, aponta estudo
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Esse estudo, feito por pesquisadores da UFRN e da UFC, traz um alerta importante: a desertificação no Rio Grande do Norte é muito mais ampla do que se pensava historicamente.
Aqui estão os pontos principais da reportagem:
Novas áreas afetadas: O estudo identificou 5 novas Áreas em Processos de Desertificação (APDs). Antes, apenas o Núcleo do Seridó Oriental era oficialmente reconhecido.
Impacto territorial: Com a descoberta, o fenômeno agora atinge pelo menos 62 municípios, o que representa cerca de 15% do território do estado (uma área de 8.359 km²).
As novas áreas identificadas são:
APD Sertão Central (2.580 km²)
APD Seridó Ocidental (1.842 km²)
APD Caraúbas (1.500 km²)
APD Pau dos Ferros (1.061 km²)
APD Rodolfo Fernandes (680 km²)
O que está causando isso?
O avanço do processo acontece pela soma de fatores naturais e pela ação humana desordenada. A pesquisadora Anny Catarina Souza destaca:
O clima semiárido, a escassez de água e as secas recorrentes.
Solos que já são rasos, pedregosos e propensos à erosão.
Ação humana sem manejo adequado: Desmatamento, pecuária, agricultura e mineração aceleram drasticamente o problema. Análises de satélite mostram que esses sinais de degradação persistem na região há mais de 40 anos (desde 1984).
É irreversível?
Não necessariamente. Os cientistas explicam que a natureza sozinha não consegue se regenerar por conta de suas restrições de solo e água, mas a intervenção humana com técnicas corretas pode recuperar ou estabilizar essas terras. No entanto, quanto mais o tempo passa e o processo avança, mais caro e difícil fica o trabalho de recuperação.
O que precisa ser feito?
Para conter a desertificação, os pesquisadores apontam que o governo e os produtores precisam adotar ações integradas de curto e longo prazo, como:
Programas de reflorestamento ("recaatingamento").
Manejo sustentável do solo e combate ao desmatamento.
Assistência técnica e fomento a práticas agrícolas e de pecuária sustentáveis.
Criação de um cadastro estadual para monitorar as áreas críticas (previsto na Lei Estadual de Combate à Desertificação).


