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Em participação em um fórum internacional, um economista vencedor do Prêmio Nobel de Economia afirmou que a América Latina convive com um excesso de expectativas irreais sobre o papel do Estado. Segundo ele, muitos governos da região prometem mais do que conseguem entregar, o que acaba gerando frustração na população e dificuldades para o desenvolvimento econômico sustentável.


De acordo com o economista, esse “utopismo” aparece quando políticas públicas são anunciadas com objetivos muito ambiciosos, mas sem base financeira, institucional ou administrativa para funcionar de fato. Na prática, isso faz com que programas não se sustentem ao longo do tempo e enfraquece a confiança das pessoas nas instituições públicas.


O Nobel também alertou para o problema do clientelismo, prática em que políticos oferecem benefícios pontuais ou favores em troca de apoio político. Para ele, esse comportamento substitui políticas estruturais por soluções imediatas, que ajudam no curto prazo, mas não resolvem os problemas de fundo da economia e da desigualdade.


Apesar das críticas, o economista fez elogios à América Latina ao destacar a capacidade de convivência entre diferentes grupos sociais, culturais e étnicos. Ele citou como exemplo a forma relativamente pacífica com que países da região lidam com fluxos migratórios e diferenças internas, mesmo enfrentando limitações econômicas maiores do que as de países ricos.


Segundo o Nobel, essa capacidade de coexistência é um ativo importante da região e poderia ser melhor aproveitada caso viesse acompanhada de instituições mais fortes, políticas públicas mais realistas e menos dependência de promessas fáceis. Para ele, o desafio da América Latina não é falta de potencial, mas transformar esse potencial em crescimento econômico consistente e duradouro.

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